Por entre os Caminhos Final.






Quando Raimundo acordou
estava muito assustado
pois tinha Dona Chica
e o Juca do lado.

Por favor me digam
o que foi que aconteceu?

Foi o chá da orquídea malhada
aquele que tu bebeu!

Com o que foi que tu sonhaste
conte para nós,

Foi com uma profecia
dos vossos tresavós
que dizia que por aqui
 tudo vai se misturar
e que esperem alegrias
por que elas vão chegar
que esqueçam-se das cores
e apertem forte laço
e eu por aqui nada tenho
fui somente alarme falso

Assim sigo meu caminho
e por aqui vou lhes deixar
se acaso outro forasteiro
por aqui vir passar

Saibam que é de vir
lhe deem boa abrigada
e assim que ele tropece
lhe estendam mão camarada

Dona Chica dê licença
de uma coisa eu lhe pedir
me de muda desta planta
que preu levar por ai

Devo chegar em mais lugares
nesta longa caminhada
e bem me faz adivinhação
da vossa orquidea malhada

Seu Raimundo vá no tempo
que por cá mesmo não tem nada
é sangue do tipo grosso
que virá pr´essa empreitada

A muda eu vou lhe dar
cuide dela com cuidado
lembre que ela tem tempo
e não lhe livra do veneno
que sempre encontrará
quem por ai vai no sereno.

Tome aqui essa cachaça
disse o bom Juca do bar
lembre de tomar o tanto
que num lhe vá tropeçar

Eu muito lhes agradeço
preciso agora partir
Espero que chegue logo
o que se espera por aqui

Na hora de ir simbora
Raimundo inda viu Gracinha
rindo feito demônia
entre um monte de flozinha
fez tão funda reverência
que o chapéu caiu no chão
e ela inda pode ver
um anel em cada mão.

Era um dia qualquer
desses todos iguais
e Raimundo partiu temendo
a fúria dos vendavais.

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